quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Pra Cris

Uma intimação estelar
ela me fez
diretamente dos seus olhos
que brilhavam.
Pra mim.
Só pra mim.
Pequenos
tortos
e lindos.
Brilhavam só pra mim
como os meus pra ela.

sábado, 19 de setembro de 2009

Do Escarro

E como se minh'alma fosse
calçada,
pisam-na,
cospem e seguem alegres
sem se importar.
O pessimismo ficou,
o resto
foi-se embora.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

II

Os ruidos da cidade:
uma cançao industrial.
Mata a calma
faz da vida um carnaval medonho
Carros alegoricos
desfilam desenfreados
enquanto ao lado
apressados correm os passistas
O Rei Momo morreu atropelado
o Mestre Sala espera na faixa
Arrasta-se todo um bloco,
dois, tres, aos gritos e buzinas.
Correm pra onde?
Tropecem!
A dança medonha acompanha
um enredo sem sentido
agucem entao os ouvidos
para tamanha verdade
A realidade que me apetece
nao é a mesma que vos cabe.
Nossos corpos correm perigo
nossas pernas correm cansadas
Ai, meu Deus, quando virá
nossa Quarta-feira de Cinzas?

domingo, 9 de agosto de 2009

I

Vamos tropeçar
lentamente
sempre certos
como nossas lagrimas errantes.
Minha cabeça doi
meu peito aperta
e a cada passo que se tropeça
sempre tem-se uma prece
pronta pra remediar.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

O Garoto V

Procurou em todas as portas
o tao querido tesouro.
Palavras implacaveis
em meio a gestos e olhares.
Tao cedo nao voltaria a sorrir.
Nao, nao poderia.
Nem mesmo sabia se queria,
a dor era uma boa amiga.
Companheira nas horas de frio
lhe aquecia o coraçao;
uma demente sangria.
Olhou em outra direçao.
Lembrou das palavras de sorte:
'te quero o melhor
te quero maior
siga bem e até qualquer dia'
Ele seguia desde entao.
Pequeno garoto
para tantos um escroto
mas era bom, so nao tinha rumo.
Estava em casa de novo,
pelas janelas entrava o outono.
Fotografias espalhadas
sangue nas cortinas
Seu coraçao batia mais forte agora, sabia.
Repirou fundo, olhou pra baixo.
Uma chama, uma pequena chama crescia dentro de si
era a tal da certeza,
a certeza de que amanha
faria tudo de novo.
A dor mais doida
seria sempre a mais bem vinda.
Estava em casa
estava só
estava em paz.




*Dedicado ao SIV.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

O Garoto IV

Entao ele saira.
Deixava pra tras
pequenas doses de angustia
e marquinhas na areia.
Caes ladravam dentro dele
e lhe dilaceravam as visceras.
Dor e delirios.
Ele adorava aquela sensaçao
Lhe fazia lembrar que ainda era humano
e apesar de tudo, era só um menino.
Acendeu uma vela e orou
e viu o caminho errante
percorrido por suas preces
que permaneceram sem respostas.
A vela apagara.
Estava de novo no escuro
Seus olhos teimavam
em tentar perceber qualquer coisa .
Pisava em espinhos
Dava testadas nos muros.
Nao sabia pra onde ir
logo, nao estava perdido.. ainda.

sábado, 4 de julho de 2009

O Garoto III

Nao volte.
Prometa que nao vai voltar.
Essa casa vai estar
vazia.

Vazia?
o Vazio é tudo o que me preenche
Hoje, ontem, sempre.

Nao adianta insistir
cale-se.

Que culpa tenho eu
se a vida me fez assim?
Entao me aguarde,
que farei de faca meu pessimismo
e fincarei na tua garganta
e no teu coraçao.
Quero te ver sangrar
as paredes cinzas da minha casa.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Um Garoto II

-
Ainda de olhos fechados
percebia entao
um outro mundo.
Seu mundo.
Talvez.
Talvez fosse
a mentira que ele queria viver.
Detalhes nao lhe escapavam
nesse lugar.
Uma nuvem
uma chuva
e um raio.
Ele era isso tudo.
(...)
Havia vento entao.
Havia vento e solidao.
Estou em casa - pensava.
Nem calor,
nem alegria,
nem conversa
nem olhares carinhosos.
So vazio. E vento.
Sim, ele estava em casa.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Um Garoto

Acordava em vao
o garoto.
Seus trapos rotos
se desfaziam enquanto andava
seu corpo, quase nu,
quase morto, congelava
e sentia os açoites
do frio, um frio infernal.
Moscas lhe cercavam.
O calor da cidade
nao aquecia sua alma
que continuava a desaparecer.
A chama de sua vida
nao bastava.
Nunca bastou.
A solidao lhe fazia companhia
seus olhos fecharam-se.

domingo, 14 de junho de 2009

Maldizeres de Amor

Maldiçao,
o amor invadiu
a casa dos sonhos.
Tao limpa que era
se prepara agora
e espreita na espera
da inevitavel hora
de seu trabalho infeliz
enxugar o sangue
e mover os pedaços de um coraçao
que vai despedaçar-se
e sangrar incessante
até a proxima estaçao
que será primavera
ja que o verao se vive agora
e vem chegando o inverno.